O Agente Secreto vai ao Oscar: quando o local transcende para o global.

O Agente Secreto vai ao Oscar: quando o local transcende para o global

O filme “O Agente Secreto” continua sua carreira vitoriosa no circuito internacional das grandes prestações.  Agora é  a vez do Oscar, a premiação mais badalada desse circuito. O filme recebeu 4 indicações.  Um recorde para um filme brasileiro.

Dentre estas inclui-se a cobiçada categoria de melhor filme e ordem melhor acordaram o nosso novo patrimônio nacional, o Wagner Moura.

Às outras indicações são as de Melhor Filme Estrangeiro e de Melhor Direção de elenco para Gabriel Domingues.

Independente da qualidade inegável da obra e dos profissionais nela envolvidos, aqui no Cultura Em Movimento ficamos intrigados com a quantidade das indicações, em tempos de administração Trump, para um filme brasileiro que trata de aspectos espinhosos de um período histórico em que o papel do Tio Sam, no imbróglio, foi vergonhoso.

Seria um mea culpa histórico? É, até pode ser, já que as indicações vêm na esteira da premiação do “Continuo aqui” que aborda igualmente o impacto violento dos regimes autoritários na vida dos cidadãos de um país. E no caso brasileiro e de vários países latino-americanos, com una atuação americana com sua velha desculpa de salvar a liberdade…

Mas talvez, e somente talvez, os membros da Academia estejam imbuídos pela mesma percepção do poeta Fernando Pessoa que, na fala do seu Álvaro de Campos disse:  ” Qualquer

caminho leva a toda parte. Qualquer ponto é o centro do infinito:

Assim um drama vivido num país que isso americanos percebem como periférico, que confundem capital, idioma com outros países da América do Sul seja uma intuição funesta do que pode acontecer com eles mesmos, os brancos americanos como Renee Nicole Good ao ficarem frente a frente com os mascarados agentes do ICE. Talvez periferia e América se encontrem na igualdade da condição humana quanto à fragilidade da vida frente a violência dos autoritários.