Algoritmos, pertencimento e saúde mental: “Eu Invisível” debate se é possível sair das bolhas digitais

Algoritmos, pertencimento e saúde mental: “Eu Invisível” debate se é possível sair das bolhas digitais

 

Ansiedade diante do contraditório, sensação de isolamento e dificuldade crescente de diálogo são efeitos cada vez mais associados ao ambiente digital. No sexto debate da série Eu Invisível, que vai ao ar na próxima sexta, 27 de fevereiro, às 18h, os idealizadores Cris Siqueira e Panda Mendes recebem a cientista Laura Marise para discutir uma pergunta central da era das redes sociais: existe vida fora da bolha?

O debate analisa como algoritmos, padrões de consumo e mecanismos de pertencimento moldam identidade, percepção de verdade e posicionamento social, com impactos diretos sobre autoestima, polarização e saúde mental.

Para Panda Mendes, a própria noção de verdade no ambiente digital é instável: “Na filosofia diz que a verdade está sempre dois passos à sua frente. Você busca a verdade o tempo todo, mas quando você acha que está alcançando, ela ainda continua dois passos à sua frente. Então, não é que a verdade seja estática. Ela se movimenta.”

A cientista Laura Marise chama atenção para um ponto central da discussão: o desconforto emocional diante da divergência. “Nenhuma pessoa gosta de ser contrariada. Não importa a quão evoluída você seja, o quão mente aberta você seja, o quanto você tenha todos os seus problemas resolvidos na terapia… No fundo, ninguém gosta.”

Ela destaca que desenvolver pensamento crítico é uma habilidade que pode ser construída: “Dá para a gente criar uma habilidade de desconfiar das coisas e criar ferramentas para a gente fazer um checklist: de onde vem isso? Quem é essa pessoa que está falando? De onde vem essa informação?”

Ao contrário da ideia de ruptura radical, Laura reforça que sair da bolha não significa romper com vínculos pessoais ou profissionais:“Sair da bolha não significa pedir demissão da sua família, do seu casamento, do seu emprego, dos seus amigos. Você pode sair da bolha estando na bolha.”

O debate também aborda como padrões de consumo e estética influenciam comportamento coletivo. “Se eu me visto igual, eu compro igual, eu me arrumo igual… eu vou votar igual. Porque eu me sinto pertencente a esse grupo e isso vira uma ferramenta a ser explorada.”

Para Cris Siqueira, o problema não é apenas a existência das bolhas, mas a comparação entre elas. “O que estremece a relação é o julgamento de que a bolha do outro é pior ou melhor que a nossa. Esses extremos também são bolhas.”

Ao conectar ciência, filosofia e comportamento digital, o episódio amplia o debate sobre como a mediação algorítmica impacta relações sociais, autoestima e convivência com a diferença, temas cada vez mais presentes na cobertura de saúde mental, tecnologia e sociedade.

Eu Invisível é um projeto de diálogos digitais idealizado por Cris Siqueira e Panda Mendes que investiga os efeitos subjetivos e sociais da vida hiperconectada. O conteúdo estará disponível a partir de 27/2 nas plataformas digitais do projeto: https://encurtador.com.br/yGEC

SERVIÇO

Diálogo digital: Existe Vida Fora da Bolha?
Participações:  Laura Marise, cientista
Data de lançamento: 27/02/2026