“O Extermínio da Cegonha” investiga os impactos da tecnologia nas relações humanas no Espaço Cultural Sérgio Porto

Espetáculo escrito e dirigido por Pedro Uchoa mistura humor, drama e interação digital para discutir memória, desejo, responsabilidade emocional e conflitos entre gerações. Temporada vai de 23 de outubro a 15 de novembro, no Humaitá, no Rio de Janeiro.

Como a tecnologia transforma a maneira como nos relacionamos, construímos memórias e fazemos escolhas? Essa é uma das questões que conduzem o espetáculo O Extermínio da Cegonha, que estreia em 23 de outubro no Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, no Humaitá, Zona Sul do Rio de Janeiro. Escrita e dirigida por Pedro Uchoa, a montagem propõe uma reflexão sobre os impactos da transição do mundo analógico para o digital na vida cotidiana e nas relações humanas.

A trama acompanha Isabel, que decide passar o feriado de Finados em sua cidade natal ao lado do namorado, do cunhado e da irmã mais nova. O reencontro aparentemente casual com Samuel, amigo de infância, desencadeia acontecimentos que trazem à tona conflitos, segredos e memórias que não podem ser apagadas. A partir dessa história, a peça explora as consequências das escolhas individuais em uma sociedade cada vez mais mediada por aplicativos, smartphones e redes sociais.

As diferenças geracionais ocupam lugar central na dramaturgia. Enquanto alguns personagens carregam as lembranças de uma infância marcada pelo telefone fixo compartilhado pela família, Madá, a irmã mais nova de Isabel, representa o olhar de uma geração que cresceu conectada. Entre esses universos, surgem questões sobre exposição nas redes sociais, engajamento, silenciamento feminino, consciência de privilégios e responsabilidade emocional.

O texto começou a ser desenvolvido há mais de dez anos e passou por sucessivas adaptações para acompanhar as transformações tecnológicas e sociais. Segundo Pedro Uchoa, a tecnologia deixou de funcionar apenas como pano de fundo e passou a integrar a própria estrutura dramática, tornando plausíveis conflitos que, no início do processo de escrita, pareciam distantes da realidade.

A encenação combina realismo e poesia, alternando momentos cômicos e trágicos em uma narrativa contemporânea. A experiência começa com um karaokê interativo, no qual o público é convidado a cantar e enviar músicas por meio de um QR Code. A participação também acontece no ambiente digital, com interações em tempo real pelo perfil do espetáculo no Instagram, aproximando a plateia dos acontecimentos e rompendo as fronteiras tradicionais entre palco e público.

No elenco estão Julia Limp, Nara Parolini, Higor Campagnaro, Ricardo Lopes e o próprio Pedro Uchoa. A montagem busca provocar o espectador a refletir sobre a forma como a tecnologia interfere nos afetos, nas decisões e na maneira como cada pessoa permanece na memória das outras.

Com duração de 80 minutos e classificação indicativa de 14 anos, O Extermínio da Cegonha fica em cartaz até 15 de novembro, com apresentações às sextas-feiras e aos sábados, às 20h, e aos domingos, às 19h.

Serviço

O Extermínio da Cegonha

Temporada: 23 de outubro a 15 de novembro de 2026

Horários: Sextas-feiras e sábados, às 20h; domingos, às 19h

Local: Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto

Endereço: Rua Visconde de Silva, s/nº, ao lado do prédio 292, Humaitá, Rio de Janeiro

Ingressos: R$ 30 (meia-entrada) e R$ 60 (inteira)

Vendas: https://bileto.sympla.com.br/event/126895/d/413814/s/2693094

Classificação indicativa: 14 anos

Duração: 80 minutos

Instagram: @exterminiocegonha

Nando Andrade

Nando Andrade

Produtor cultural, produtor executivo e diretor de produção audiovisual, com mais de 18 anos de experiência em projetos culturais, entretenimento, eventos e audiovisual. É fundador da Visuallyze e atua na gestão, produção e desenvolvimento de projetos culturais e audiovisuais no Brasil.