Gustavo Auni investiga as relações entre arte, psicanálise e marginalização social
Psicólogo e ator, Gustavo Auni desenvolve pesquisa sobre o papel da criação artística na construção de subjetividades e na visibilidade de grupos historicamente marginalizados.
A relação entre arte, subjetividade e sociedade é o ponto de partida da pesquisa desenvolvida por Gustavo Paulino Auni, psicólogo e ator que reúne experiências nas áreas da clínica, comunicação, educação e produção artística. Em seu trabalho de conclusão do curso de Psicologia da Universidade Veiga de Almeida, no Rio de Janeiro, ele investiga como a criação artística pode contribuir para a elaboração psíquica e para a construção de novos espaços de reconhecimento social.
Intitulada “A Arte como Dispositivo de Reinscrição Simbólica do Sujeito em Contextos de Marginalização à Luz da Psicanálise”, a monografia, orientada pela professora doutora Aline Maria Drummond, estabelece um diálogo entre a teoria psicanalítica de Sigmund Freud e as experiências de sujeitos historicamente submetidos à exclusão e ao apagamento simbólico.
A pesquisa parte do conceito de sublimação, formulado por Freud, para discutir como a produção artística pode transformar experiências subjetivas em obras capazes de circular socialmente, produzir novos sentidos e ampliar as possibilidades de expressão. O estudo também aborda os efeitos da marginalização sobre a constituição dos sujeitos e as formas pelas quais a arte pode criar outros espaços de enunciação e reconhecimento.
A arte como espaço de expressão e reconhecimento
Para desenvolver a investigação, Gustavo analisa as trajetórias de três importantes nomes da cultura brasileira: Carolina Maria de Jesus, Arthur Bispo do Rosário e Linn da Quebrada. Embora tenham percursos distintos, os artistas são aproximados pela possibilidade de compreender a criação como uma forma singular de produzir presença e deslocar posições historicamente marcadas pela invisibilidade.
Na obra de Carolina Maria de Jesus, a escrita aparece como instrumento de transformação da experiência social em narrativa, levando ao espaço público questões relacionadas à pobreza, à fome e à exclusão. Já a produção de Arthur Bispo do Rosário é examinada a partir de seus processos de organização simbólica, desenvolvidos ao longo de décadas de institucionalização psiquiátrica.
No caso de Linn da Quebrada, a pesquisa aborda as relações entre corpo, linguagem, performance e reconhecimento, destacando como a produção artística pode questionar normas sociais e ampliar as possibilidades de representação de corpos e identidades dissidentes.
Ao reunir essas trajetórias, o trabalho propõe uma reflexão sobre a capacidade da arte de transformar experiências em formas de expressão e circulação social. A investigação, entretanto, evita idealizar o sofrimento ou tratar a marginalização como condição necessária para a criação artística. A arte pode abrir caminhos para a elaboração e o reconhecimento, mas não elimina, por si só, as desigualdades e as violências que atravessam a sociedade.
Uma trajetória entre Psicologia e arte
A pesquisa acadêmica dialoga com a própria trajetória profissional de Gustavo Auni, marcada pelo encontro entre diferentes campos de conhecimento e atuação. Formado em Psicologia pela Universidade Veiga de Almeida e em Artes Cênicas pela Casa das Artes de Laranjeiras, ele construiu uma carreira que também abrange publicidade, produção cultural, criação de conteúdo, direção de arte e recursos humanos.
Na área clínica, realizou atendimentos durante dois anos na clínica social do Serviço de Psicologia Aplicada da universidade, acompanhando diferentes demandas sob supervisão profissional. Também trabalhou como mediador escolar no Colégio pH, contribuindo para processos de inclusão, aprendizagem e integração de alunos com necessidades específicas.
Sua experiência profissional inclui ainda a atuação como headhunter na Petra Group, consultoria internacional de capital humano, onde ampliou sua experiência com processos seletivos, identificação de perfis e desenvolvimento de pessoas.
Atualmente, Gustavo atua como psicólogo clínico, com atendimentos presenciais no Rio de Janeiro e na modalidade on-line, mantendo também sua atuação como comunicador e criador de conteúdo.
Sua formação artística e sua experiência em diferentes áreas ajudam a contextualizar o interesse pelas relações entre subjetividade, cultura e sociedade que orienta sua pesquisa. Mais do que aproximar campos profissionais distintos, seu percurso evidencia um interesse contínuo pelas experiências humanas e pelas diferentes maneiras de narrar, compreender e representar o mundo.
Ao investigar a arte sob a perspectiva da psicanálise, Gustavo Auni contribui para uma discussão que ultrapassa os limites acadêmicos: a possibilidade de reconhecer a produção cultural como um espaço de construção de sentidos, circulação da palavra e questionamento das formas de exclusão. Uma reflexão que aproxima a Psicologia da cultura e reafirma a importância de ampliar os lugares de escuta, expressão e reconhecimento na sociedade.
Instagram @gustavoauni
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