Joara: do palco do The Voice à sua própria voz
Cantora carioca inicia uma nova fase na carreira, unindo a experiência adquirida na televisão, a chegada à Fina Batucada e novos projetos autorais
A voz que conquistou três cadeiras no The Voice Brasil agora busca novos caminhos. Aos poucos, Joara transforma a experiência acumulada ao longo de sua trajetória em uma nova fase artística, marcada pela chegada à Fina Batucada, pelo aprendizado de novos instrumentos e pela preparação de trabalhos autorais.
Hoje, a cantora carioca integra a Fina Batucada, primeira bateria feminina de percussão do Brasil, comandada pelo Mestre Riko. A participação no grupo representa também um reencontro com uma parte importante de sua própria história. Antes mesmo de se tornar cantora, Joara já havia descoberto na percussão uma de suas primeiras formas de relação com a música.
Aos sete anos, começou a estudar percussão. Agora, adulta e depois de passar por diferentes palcos e experiências na televisão, volta a ampliar esse universo musical.
Além do canto e da percussão, Joara se dedica atualmente ao aprendizado do cavaquinho, enquanto prepara novos projetos. Entre eles está “Ausência”, produção que será realizada pelo produtor Nelsinho e está entre os próximos lançamentos da cantora.
Outra parceria em andamento é um feat com Lucas Verdadeiro, em uma produção que transita por referências do trap e do R&B. A produção musical também reúne profissionais que fazem parte de diferentes momentos de sua caminhada, entre eles o produtor de eventos e baterista Guido Sabença, conhecido como Guido Batera.
Mas, antes de chegar a essa nova etapa, Joara percorreu um caminho construído muito antes das câmeras, dos grandes palcos e das audições televisivas.
A música começou em casa
A relação de Joara com a música começou ainda na infância, influenciada pelo ambiente familiar. O pai trabalhava no rádio, enquanto a mãe cultivava o gosto pela música. Em casa, ouvir rádio, escolher canções e participar de atividades musicais fazia parte da rotina.
Na igreja, Joara integrou o coral e encontrou uma de suas primeiras conexões com o canto. Paralelamente, o contato com a percussão começou a construir uma relação ainda mais ampla com a música.
Foi durante o ensino médio, na Escola Estadual Albert Sabin, em Campo Grande, que a música passou a ocupar um espaço ainda maior em sua vida.
Nos intervalos das aulas, Joara tocava e começou a cantar para acompanhar o violão. Foi nesse período que conheceu Laís Viana, hoje Diretora de Bateria da Fina Batucada. A primeira experiência profissional com o palco, porém, aconteceu quase por acaso.
Joara conheceu Julinho e pediu que ele a acompanhasse na música “Carolina”, de Seu Jorge. O pai, que já reconhecia o potencial vocal da filha, percebeu naquele momento uma oportunidade e a incentivou a subir ao palco.
“Meu pai dizia que eu sabia cantar”, relembra Joara.
O que deveria ser apenas uma participação acabou se transformando em um momento marcante. Julinho, responsável por proporcionar aquela oportunidade, deixou o palco para acompanhar a apresentação que Joara passou a comandar.
Depois daquele dia, ela nunca mais parou de cantar.
Entre sonhos, audições e oportunidades
A busca por novos espaços levou Joara, em 2012, a se inscrever no programa Ídolos, da televisão.
Vieram as viagens ao Maracanãzinho, as filas, as audições e a experiência de cantar diante de uma banca de jurados. Entre os avaliadores estava Supla, que deu um “sim” à cantora. Outros dois jurados, entretanto, disseram “não”.
Mais do que o resultado, Joara levou daquela experiência uma mensagem que continuaria presente em sua trajetória: era preciso continuar.
A música também ganhou uma dimensão social. Joara passou a ministrar aulas utilizando equipamentos confeccionados com materiais recicláveis e desenvolveu atividades junto à comunidade de Mangaratiba.
Paralelamente, começou a conquistar espaço em bares e casas de shows da região.
Morando atualmente em Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, continuou construindo seu caminho pelos palcos locais. Até que uma mudança inesperada interrompeu esse percurso.
Quando a música precisou esperar
A pandemia trouxe um dos períodos mais difíceis de sua trajetória.
Com o lockdown e o fechamento de bares e espaços culturais, Joara ficou sem trabalho. A atividade musical, que representava sua principal forma de expressão e também uma fonte de sustento, foi interrompida.
Diante da falta de oportunidades, chegou a vender instrumentos para enfrentar aquele período.
Com a retomada das atividades, porém, Joara decidiu reconstruir seu caminho. Alguns dos estabelecimentos onde costumava se apresentar já não haviam reaberto, mas ela voltou aos palcos e começou novamente a buscar oportunidades.
Foi então que recebeu o conselho para tentar mais uma vez a televisão.
Dessa vez, a oportunidade seria no The Voice Brasil, em 2023.
Três cadeiras viradas
Joara chegou às audições do programa carregando anos de experiência, mas também uma característica que tornava aquele momento ainda mais significativo: ela nunca havia feito uma aula formal de canto.
Para a apresentação, escolheu “Caso Sério”, de Rita Lee.
Logo nos primeiros momentos da performance, Carlinhos Brown virou sua cadeira. Em seguida, vieram Mumuzinho e Lulu Santos.
As três cadeiras estavam viradas.
Para Joara, aquele instante representou mais do que a aprovação em um programa de televisão. Foi a confirmação de uma capacidade que ela vinha desenvolvendo desde a infância.
“Nunca havia feito uma aula de canto na minha vida. De repente, me vejo com todas as cadeiras viradas. Ali me dei conta de que eu sei cantar!”
A participação no programa também provocou uma transformação fora dos estúdios.
Durante o período de exibição, Joara convidou amigos e moradores da região para acompanhar o programa no karaokê Niraguibar, em Bangu. Como os participantes tinham restrições contratuais que impediam a divulgação antecipada de detalhes sobre suas apresentações, o público ainda não sabia exatamente o que estava por vir.
Quando sua apresentação foi exibida, veio o reconhecimento.
Joara passou a ser identificada na região e ganhou ainda mais visibilidade. O episódio se tornou um dos marcos de sua carreira, mas não o ponto final.
Da experiência à própria voz
Depois de tantas experiências, Joara vive agora um momento de transformação.
A passagem pela televisão trouxe visibilidade. Os palcos locais trouxeram experiência. A pandemia exigiu resistência. E a música, que começou ainda na infância, continua apontando novos caminhos.
A chegada à Fina Batucada aproxima novamente Joara da percussão e amplia suas possibilidades como artista. O aprendizado do cavaquinho acrescenta uma nova ferramenta à sua musicalidade, enquanto as parcerias e os projetos autorais começam a desenhar os próximos passos.
É uma fase em que Joara deixa de ser apenas a cantora que o público conheceu na televisão para reafirmar sua identidade artística também fora dela.
Da menina que descobriu a música no coral e começou a estudar percussão aos sete anos à cantora que teve três cadeiras viradas no The Voice Brasil, sua trajetória é marcada por persistência, reinvenção e pela capacidade de continuar encontrando novos caminhos.
Agora, ao lado da Fina Batucada e preparando seus próximos trabalhos, Joara escreve um novo capítulo, desta vez cada vez mais guiado pela própria voz.
Porque, para Joara, a música nunca deixou de tocar.
