Chaves Júnior transforma cultura e samba em territórios de encontros
Chaves Júnior: Produtor carioca leva projetos e grandes nomes do samba a diferentes públicos, do Rio de Janeiro a Salvador
Criar, conectar e colocar a cultura em movimento. É a partir dessa perspectiva que Chaves Júnior vem construindo sua trajetória como produtor cultural e artístico, designer e profissional da comunicação. À frente da Gira Mundo Produções, Chaves atua na criação e realização de projetos que aproximam artistas, públicos e diferentes territórios, tendo o samba e a cultura popular brasileira como alguns dos principais elementos de sua atuação.
Seu trabalho ganha uma dimensão especialmente significativa por meio do Samba de Caboclo, movimento que reúne música, ancestralidade e tradição afro-brasileira em uma experiência marcada pelo encontro entre o samba de roda, os partidos-altos e os cânticos dedicados aos caboclos. A proposta nasce da relação com os terreiros, quintais e comunidades e vem encontrando espaço em diferentes pontos da cena cultural.
Mais do que uma roda de samba, o Samba de Caboclo se apresenta como um espaço de preservação e atualização de saberes. O tambor, a música e a celebração da ancestralidade são colocados em diálogo com o público contemporâneo, criando uma experiência em que tradição e criação caminham juntas.
A agenda do projeto evidencia essa capacidade de circulação. Em outubro, o Samba de Caboclo passa por diferentes espaços do Rio de Janeiro, incluindo o Quintal do Terreiro, em Realengo, o Soulbrado e a Quadra da Mangueira, onde participa do evento BatuQ em Verde e Rosa. O projeto também já ocupa ou circula por espaços reconhecidos da música e da cultura popular, como Cacique de Ramos, quadra da Beija-Flor de Nilópolis, Circo Voador e Batuq Niterói.
É justamente nessa capacidade de transitar entre diferentes públicos e territórios que a atuação de Chaves Júnior ganha contornos próprios. Sua produção não se limita à realização de apresentações, mas envolve a criação de experiências culturais capazes de estabelecer conexões entre artistas, memória, identidade e entretenimento.
Essa estratégia também começa a ultrapassar as fronteiras do Rio de Janeiro. Em Salvador, a Gira Mundo Produções prepara uma programação que aproxima a tradição do samba carioca do público baiano. O Festival Gira Mundo estreia na cidade com Netinho de Paula, em 28 de novembro, no Pátio da Ordem Terceira, no Pelourinho. A apresentação revisita sucessos associados ao pagode dos anos 1990 e propõe um encontro entre memória afetiva e novas experiências de palco. O evento está anunciado no Sympla.
Antes disso, Salvador recebe, em 7 de novembro, o cantor, compositor, percussionista e produtor musical Leandro Sapucahy, também no Pátio da Ordem Terceira. A apresentação reúne no repertório clássicos do samba brasileiro e a trajetória de Sapucahy como intérprete, percussionista e produtor.
A escolha de artistas com trajetórias consolidadas ao lado de projetos ligados à cultura popular revela uma característica importante do trabalho de Chaves: a construção de pontes. De um lado, artistas e repertórios que fazem parte da memória musical brasileira. De outro, projetos que nascem da vivência cultural das comunidades e da força das tradições.
É nessa combinação que a Gira Mundo Produções vem desenhando sua identidade. O nome da produtora traduz também uma perspectiva de circulação, intercâmbio e encontro. Rio de Janeiro e Salvador aparecem, nesse movimento, não apenas como cidades onde acontecem eventos, mas como territórios culturais capazes de dialogar por meio do samba.
A trajetória de Chaves também passa pelo design e pela publicidade, áreas que ajudam a explicar sua visão sobre comunicação e construção de projetos. A experiência nesses diferentes campos permite que a produção cultural seja pensada não apenas como logística, mas como linguagem, identidade e posicionamento.
Em um cenário cultural cada vez mais marcado pela necessidade de criar novas conexões com o público, produtores como Chaves Júnior ocupam um papel estratégico: transformar ideias em experiências, aproximar artistas de novos territórios e encontrar caminhos para que manifestações tradicionais continuem vivas e dialogando com o presente.
Seu slogan, “Criando sempre”, resume essa dinâmica. Entre o tambor ancestral, as rodas de samba, os grandes nomes da música brasileira e a expansão de projetos para novos territórios, Chaves Junior segue construindo uma trajetória baseada no movimento. E, sobretudo, na ideia de que produzir cultura também é criar encontros.
