O legado de Solange Pinto Mendonça ainda ecoa e já tem data para voltar aos palcos

Ensaios para tributo a Solange Pinto Mendonça reúnem mais de 60 coralistas de diferentes gerações para concerto na Escola de Música da UFRJ

 

O legado da maestrina Solange Pinto Mendonça volta a ecoar em 2026 com o concerto “Harmonia, Amor e Paz”, que estreia no dia 21 de outubro, na Escola de Música da UFRJ. A apresentação é resultado de uma série de ensaios que reúne mais de 60 coralistas que fizeram parte dos grupos conduzidos por Solange ao longo de sua trajetória, além de três maestrinas que foram suas alunas: Érica de Paula, Shirley Goes e Vanessa Weber. 

Mais do que uma homenagem, o projeto representa uma verdadeira passagem de bastão entre gerações do canto coral. A proposta nasceu de uma percepção compartilhada entre antigos integrantes dos grupos de Solange: mesmo anos depois de sua partida, os ensinamentos da maestrina permaneciam presentes na forma de cantar, ouvir e construir coletivamente a música.

“A ideia nasceu em uma confraternização, quando percebemos que o grupo ainda mantinha a afinação dos ensinamentos da nossa eterna maestrina”, conta Flávia Maciel, uma das responsáveis pela produção e coordenação do projeto.

A partir desse encontro, as afinidades se transformaram em projeto. Os ensaios começaram em março e, inicialmente, aconteciam uma vez por mês. O processo foi ganhando corpo com a participação de antigos coralistas e com a preparação conduzida pelas três regentes.

 

Referência nacional no canto a cappella, Solange Pinto Mendonça dedicou 46 anos ininterruptos à regência coral. Ao longo de sua carreira, estabeleceu relações com importantes nomes da música brasileira, entre eles José Vieira Brandão, Cacilda Borges Barbosa, Ronaldo Miranda e Raul Penna Firme, que dedicaram arranjos ao seu trabalho. Sua trajetória também inclui premiações no Brasil e no exterior, gravações com Francis Hime, apresentações na série Música no Museu e transmissões pela Rádio MEC FM.

O concerto reúne um repertório construído a partir de obras que fizeram parte da trajetória artística da maestrina. Entre as peças estão “Ave Maria”, “Mignone”, “Trem de Ferro” e outras obras representativas de seu trabalho, transitando por diferentes universos da música coral.

Para as três regentes, assumir a condução desse coro tem um significado especial. Shirley Goes, formada em Música pela UNIRIO e professora do Colégio Pedro II, conta que o desafio está justamente em reger diante de pessoas que conheceram Solange de perto.

“Desde o começo foi um grande desafio reger em tributo a Solange com pessoas que a conheceram de perto”, afirma Shirley. Para ela, a experiência também representa a continuidade de uma maneira de fazer música marcada pelo “acolhimento, carinho e cuidado” deixados pela maestrina.

A relação de Shirley com a homenageada, aliás, ultrapassa a formação musical. Foi inspirada por Solange que ela escolheu seguir a carreira de regente coral.

Érica de Paula, professora de música e maestra coral, também reconhece na homenageada uma influência decisiva em sua trajetória. Licenciada pela UFES, com mestrado em Educação Musical pela UFBA e especializações em Regência Coral e Educação Musical, ela destaca a emoção de contribuir para a preservação dessa memória.

“É um orgulho, um momento de emoção poder contribuir para a memória e legado da Solange. Foi por conta dela que me apaixonei pelo canto coral”, afirma.

Segundo Érica, o repertório foi construído a partir das obras que as três aprenderam com Solange e daquilo que permaneceu associado à trajetória dos grupos. A seleção levou em conta também as afinidades entre as três regentes.

Vanessa Weber, formada pela UNIRIO e professora de Música e Educação Musical no Colégio Pedro II, iniciou a passagem ensaio do repertório, conduzindo peças como “Ave Maria” e obras de Mignone.

 

A reunião de mais de 60 coralistas exigiu também um trabalho de mobilização. O contato foi retomado principalmente por meio de antigas redes de relacionamento e do chamado boca a boca. Nem todos os convidados conseguiram assumir o compromisso de participar dos ensaios e apresentações, mas muitos estarão presentes na plateia.

“Nós três fomos alunas da Solange. Apesar de termos movimentos e técnicas diferentes, nossa essência coral veio da Solange”, resume Vanessa.

A preparação do coro conta com alongamento e preparação vocal conduzidos por Débora Campos de Paula, artista, pesquisadora, doutora em Filosofia e arte-educadora, com atuação em dança afro e preparação corporal. @afroconexoes

 

Memória que permanece

O projeto pretende ultrapassar o momento do concerto. No dia da apresentação, estão previstos lançamentos relacionados à iniciativa, entre eles um site dedicado à memória e ao legado de Solange Pinto Mendonça, que reunirá registros históricos e partituras relacionadas à sua trajetória.

Os próprios ensaios também se transformaram em material para um novo desdobramento. O que começou como uma ideia de registrar o processo ganhou forma de curta-metragem documental, a partir de filmagens, depoimentos dos participantes e arquivos de época. A produção deverá posteriormente buscar circulação em festivais de cinema.

A proposta é preservar não apenas as obras, mas também as histórias das pessoas que fizeram parte dessa trajetória e que hoje ajudam a mantê-la viva.

O concerto “Harmonia, Amor e Paz – Tributo ao Legado de Solange Pinto Mendonça” estreia no dia 21 de outubro, na Escola de Música da UFRJ, reunindo coralistas de diferentes gerações em torno de um repertório que atravessa a trajetória da maestrina.

Ao reunir antigas alunas, coralistas e novas gerações de artistas, o projeto evidencia que o legado de uma maestrina não permanece apenas nas partituras. Ele continua presente na escuta, na afinação, na memória e, sobretudo, nas pessoas que aprenderam com ela a transformar muitas vozes em uma só música.

 

Mais informações sobre o projeto, os ensaios e os próximos desdobramentos podem ser acompanhadas pelo Instagram @projetolegado_solangepmendonca

Nando Andrade

Nando Andrade

Produtor cultural, produtor executivo e diretor de produção audiovisual, com mais de 18 anos de experiência em projetos culturais, entretenimento, eventos e audiovisual. É fundador da Visuallyze e atua na gestão, produção e desenvolvimento de projetos culturais e audiovisuais no Brasil.