Projeto na FAETEC propõe tecnologia para ampliar a acessibilidade

Desenvolvido por estudantes, sistema de orientação combina recursos físicos e digitais para facilitar a circulação de pessoas com deficiência visual ou mobilidade reduzida em grandes espaços.

Encontrar salas, localizar serviços e circular com autonomia por grandes edifícios pode ser um desafio para pessoas com deficiência visual ou mobilidade reduzida. Para enfrentar essa questão, estudantes da Escola Técnica Estadual República, em Quintino, na Zona Norte do Rio de Janeiro, desenvolveram o Projeto Paideia, uma proposta de tecnologia assistiva voltada à acessibilidade e à orientação em ambientes institucionais.

Com o lema “Conectando Pessoas, Orientando Caminhos”, o trabalho integrou a programação da XXIV Semana de Cultura, Ciência e Tecnologia (SCCT 2026), evento promovido pela instituição para estimular a pesquisa aplicada, a experimentação e o desenvolvimento de soluções para problemas concretos.

A proposta parte de uma necessidade identificada no próprio ambiente escolar. A ETE República possui aproximadamente 18 mil metros quadrados distribuídos em quatro andares no campus de Quintino. Em uma estrutura desse porte, localizar salas e outros pontos de interesse pode exigir tempo e orientação adicional, especialmente para pessoas com deficiência visual ou mobilidade reduzida.

Solução une sinalização física e recursos digitais

O Projeto Paideia propõe uma plataforma de orientação e navegação composta por um totem interativo e um aplicativo para dispositivos móveis. A solução prevê recursos táteis e acessíveis, mapas digitais, rotas em tempo real e visualização tridimensional, além de funcionalidades de gamificação.

A intenção é facilitar a localização de salas e serviços, contribuir para a autonomia dos usuários e reduzir as dificuldades de deslocamento dentro da escola. O sistema também foi concebido para permitir atualizações das rotas diante de reformas ou mudanças na disposição dos ambientes.

Outro aspecto destacado pela equipe é a utilização de materiais reutilizados na construção dos dispositivos, associando a proposta de acessibilidade à preocupação com a sustentabilidade.

Pesquisa começa pela escuta dos usuários

O desenvolvimento do Paideia segue uma metodologia participativa, com levantamento de informações sobre as dificuldades enfrentadas pela comunidade escolar. Entre os procedimentos descritos no projeto estão entrevistas com alunos, servidores e visitantes, observação da rotina da instituição e identificação de obstáculos à circulação.

Com base nessas informações, a equipe prevê a elaboração de protótipos físicos e digitais, seguida de testes de usabilidade. A avaliação deve considerar aspectos como clareza das instruções, facilidade de navegação e compreensão das rotas indicadas pelo sistema.

A proposta considera ainda a legislação brasileira de inclusão, especialmente a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015), e a norma técnica ABNT NBR 9050, que estabelece critérios de acessibilidade para edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos.

Tecnologia com potencial de aplicação em outros espaços

Embora tenha como ponto de partida as necessidades da ETE República, o projeto prevê a possibilidade de adaptação da solução para outros locais de grande circulação, como hospitais, universidades e centros comerciais.

A iniciativa se aproxima de um dos propósitos centrais da Semana de Cultura, Ciência e Tecnologia: estimular os estudantes a aplicar conhecimentos teóricos na elaboração de projetos práticos, desenvolver habilidades de trabalho em equipe e buscar alternativas para desafios da sociedade.

Ao combinar investigação, desenvolvimento tecnológico e atenção às necessidades dos usuários, o Paideia coloca a acessibilidade no centro da discussão sobre inovação. A proposta reforça que o planejamento de espaços mais inclusivos depende não apenas da infraestrutura física, mas também de informações claras e ferramentas que favoreçam a independência das pessoas.

Integrantes do projeto: Nathan Steyka Torres Maciel, João David Ferreira da Motta, João Gabriel Santos Sodré, Davi dos Anjos, Samuel Américo, Ricardo Frederico Brandão e Marcelo Nascimento.

Instituição: Escola Técnica Estadual República (ETER), unidade da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), em Quintino, Rio de Janeiro.

Nando Andrade

Nando Andrade

Produtor cultural, produtor executivo e diretor de produção audiovisual, com mais de 18 anos de experiência em projetos culturais, entretenimento, eventos e audiovisual. É fundador da Visuallyze e atua na gestão, produção e desenvolvimento de projetos culturais e audiovisuais no Brasil.