Michel Melamed retorna ao Rio com “O Funcionário Que Pede Para Não Ser Identificado” e lança livro da peça

Espetáculo fica em cartaz de 15 de outubro a 15 de novembro, no Teatro Firjan SESI Centro, com humor ácido e reflexão sobre criatividade, burocracia e mercado artístico

 

Após uma temporada de sucesso em São Paulo, o espetáculo “O Funcionário Que Pede Para Não Ser Identificado”, escrito e dirigido por Michel Melamed, retorna ao Rio de Janeiro para uma nova temporada no Teatro Firjan SESI Centro, de 15 de outubro a 15 de novembro. A noite de reestreia também marca o lançamento do livro da peça, publicado pela editora Cobogó.

Em formato de comédia poética musical a capela, a montagem aborda, com humor ácido e uma perspectiva crítica, os conflitos entre criação artística, burocracia e mercado. A obra propõe uma reflexão sobre os mecanismos que determinam quais ideias são reconhecidas, legitimadas e autorizadas a existir em um sistema marcado por procedimentos, exigências e disputas de espaço.

A trama se passa em um fictício Setor de Registro e Produção de Obras Artísticas, onde as ideias precisam ser aprovadas para ganhar existência. Nesse ambiente, uma funcionária incapaz de criar algo próprio passa a rejeitar sistematicamente os projetos apresentados por outras pessoas. O percurso da personagem culmina na elaboração de uma ideia que pretende ser definitiva: a “Obra de Arte Total”, construída a partir da colagem de todos os projetos que ela própria recusou.

A partir dessa situação, o espetáculo questiona os limites entre autoria e originalidade, criação e reconhecimento, além das relações entre liberdade artística e sobrevivência profissional. A burocracia se transforma em matéria dramatúrgica para discutir as contradições de um universo em que a criatividade é, ao mesmo tempo, valorizada e submetida a critérios de validação.

Conhecido por uma trajetória que transita entre teatro, literatura, audiovisual, música e performance, Michel Melamed desenvolve uma investigação sobre linguagem, pensamento e experimentação cênica. Em sua nova montagem, essa pesquisa ganha forma em uma composição que aproxima palavra, música e interpretação, explorando o humor como instrumento de crítica.

O elenco reúne quatro artistas de destaque da cena teatral e musical contemporânea: Inez Viana, Simone Mazzer, Thalma de Freitas e Yasmin Gomlevsky. As intérpretes dão voz à proposta de um espetáculo que celebra a potência criativa dos artistas enquanto expõe as dificuldades e contradições presentes nos processos de produção cultural.

Para Melamed, a montagem também representa uma homenagem à profissão artística e à capacidade humana de criar o extraordinário, mesmo diante das limitações impostas pelo mercado. A obra coloca em evidência uma questão central: como preservar a liberdade de criação em um contexto no qual a arte precisa, frequentemente, justificar sua existência e encontrar meios de se sustentar?

Ao associar a temporada carioca ao lançamento do livro pela editora Cobogó, “O Funcionário Que Pede Para Não Ser Identificado” amplia sua reflexão para além do palco, aproximando a experiência teatral do registro literário. A proposta reafirma o caráter experimental da obra e seu interesse pelas tensões entre linguagem, dinheiro, reconhecimento e liberdade artística.

Serviço

Espetáculo: O Funcionário Que Pede Para Não Ser Identificado
Texto e direção: Michel Melamed
Elenco: Inez Viana, Simone Mazzer, Thalma de Freitas e Yasmin Gomlevsky
Local: Teatro Firjan SESI Centro, Rio de Janeiro
Temporada: 15 de outubro a 15 de novembro de 2026
Lançamento do livro: Na noite de reestreia
Editora: Cobogó

Nando Andrade

Nando Andrade

Produtor cultural, produtor executivo e diretor de produção audiovisual, com mais de 18 anos de experiência em projetos culturais, entretenimento, eventos e audiovisual. É fundador da Visuallyze e atua na gestão, produção e desenvolvimento de projetos culturais e audiovisuais no Brasil.