O Agente Secreto: vitória do cinema é da democracia do Brasil
O Agente Secreto: vitória do cinema é da democracia do Brasil
O Agente Secreto, filme dirigido por Kleber Mendonça Filho e protagonizado por Wagner Mourão, levou ontem, dia 11, dois Globos de Ouro: o de Melhor Filme de Língua Não Inglesa e o de Melhor ator. Esses troféus juntam- se a outros conquistados em Cannes e na conturbada entrega do prêmio no Critics Choice
Essa premiação, no mês de janeiro, tem uma dimensão quase que simbólica, principalmente para nós, aqui no Brasil.
O filme retrata, como outras produções, inclusive o “Ainda Estou Aqui” que também recebeu um Globo de Ouro na premiação do ano passado, o impacto direto da ditadura brasileira, iniciada em 1964e que durou 21 sangrentos anos. Por isso, quando o Brasil fez o dever de casa, ao condenar e prendemos golpistas do 8 de janeiro, deu um exemplo, principalmente para os Estados Unidos de como o respeito às instituições e às leis que a regem são o único caminho para a liberdade e o bem-estar coletivo. São o caminho para a civilidade, a democracia e uma vida baseada na ideia de não-violência.
Um dos muitos méritos do roteiro de Kleber Mendonça é o enfatizar o papel dos empresários no processo de implantação da ditadura no país, não por medo dos comunistas comedores de criancinhas, mas por razões do ” Lucro acima de todos”. coisa
O Agente Secreto é o retrato da mentalidade entreguista e colonizada de uma boa parte do empresariado da época que sobrevive ainda hoje e impede o pleno desenvolvimento econômico e social de nosso país. E didaticamente expõe o impacto dessa atitude nefasta na vida de pais e filhos…nas suas dores, nas suas trajetórias interrompidas, nas suas memórias claras ou nebulosas como tão bem diz o filho já adulto do protagonista.
Espera- se que tanto os espectadores brasileiros quanto os americanos aprendam através da arte e da História que ditaduras, desrespeito a soberana dos países e pirataria imperialista só levava um caminho: o inferno da barbárie, o inferno da selvageria sem medidas
Fora essas reflexões sombrias, mas necessárias, resta- nisso, enquanto brasileiros bradarmos: Viva o cinema, a cultura, a fibra dos brasileiros! E viva o Nordeste que é Brasil na veia!
