Setembro no CCBB Rio é um mergulho em culturas, memórias e diferentes formas de fazer arte

Programação reúne exposições, cinema, teatro, música, literatura, cultura popular e atividades educativas em uma das agendas culturais mais diversas do mês no Rio

 

Setembro chega ao Centro Cultural Banco do Brasil, no Centro do Rio, com uma programação que faz da diversidade seu principal ponto de encontro. Ao longo do mês, exposições, cinema, teatro, música, literatura, cultura popular e atividades educativas ocupam os espaços do CCBB, aproximando diferentes gerações, territórios e linguagens artísticas.

Mais do que uma sequência de eventos, a programação constrói um verdadeiro percurso pela produção cultural brasileira e internacional. Da arte produzida na Amazônia ao cinema africano, das tradições das violas brasileiras às experiências com a harpa, passando pelo teatro, pela literatura, pelo samba e pelas narrativas dos povos originários, o mês apresenta diferentes maneiras de olhar para a cultura e compreender o mundo.

Um dos destaques é a exposição “Amazônicas – Poéticas Femininas”, que abre ao público no dia 2 de setembro. Com curadoria de Sissa Aneleh, a mostra reúne obras de artistas mulheres da região Norte e aborda questões como identidade, ancestralidade, cultura afro-indígena, meio ambiente e protagonismo feminino.

A exposição também incorpora recursos de realidade expandida, virtual e aumentada, criando experiências imersivas e ampliando as possibilidades de relação do público com as obras. A mostra permanece no segundo andar do CCBB até 16 de novembro, com entrada gratuita.

No primeiro andar, “Vik Muniz – A Olho Nu” teve sua temporada prorrogada até 12 de outubro, oferecendo mais tempo para o público conhecer a exposição.

Um cinema que atravessa fronteiras

O cinema ocupa papel central na programação de setembro. Entre os dias 10 e 16, a Mostra de Cinemas Africanos apresenta dez longas-metragens e seis curtas de diferentes países do continente.

Criada em 2018, a iniciativa busca ampliar a circulação de cinematografias africanas no Brasil e promover o contato do público com diferentes perspectivas, estéticas e narrativas. Além das sessões, a programação prevê debates e encontros com realizadores.

Outra atração é “Dança. Detetive. Diário. Diva”, mostra realizada em parceria com a Cinemateca do Museu de Arte Moderna. Com curadoria de Hernani Heffner, a programação organiza filmes em quatro universos aparentemente distintos, mas igualmente presentes na história do cinema: dança, investigação policial, diários e divas.

A partir de 23 de setembro, o CCBB amplia esse mapa cinematográfico com “Soy Loco Por Ti, Centroamérica”. A mostra reúne produções contemporâneas da Guatemala, Honduras, El Salvador, Nicarágua, Costa Rica e Panamá, entre filmes premiados e trabalhos de novos realizadores.

São 16 longas e cinco curtas, entre ficções e documentários, selecionados pela cineasta brasileira-hondurenha Laura Bermúdez.

Teatro para imaginar outros mundos

Para o público infantil, setembro reserva uma das principais programações de artes cênicas do mês. De 17 a 27, o FIL 2026 – Festival Internacional Intercâmbio de Linguagens ocupa diferentes espaços do CCBB com o tema “A Poética dos Imaginários”.

Com curadoria de Karen Acioly, o festival reúne teatro, dança, literatura e performances e propõe uma reflexão sobre a criatividade e os múltiplos imaginários que atravessam a infância.

A proposta reforça uma característica importante da programação cultural do CCBB: a ideia de que crianças também são público crítico e participante da produção artística, e não apenas espectadoras de conteúdos produzidos exclusivamente para elas.

Antes do FIL, seguem em cartaz “Gaivota” e “Tudo Preto: Uma Re_Vista”, ampliando a diversidade da programação teatral do mês.

Da música de concerto às tradições brasileiras

A música também ocupa diferentes espaços do centro cultural.

O projeto Música no Museu apresenta concertos nos dias 2, 9 e 30 de setembro, com repertórios que transitam entre clássicos internacionais e a aproximação entre música erudita e popular.

Entre 19 e 27, o RioHarpFestival 2026 – Versão Latino-Americana reúne músicos e diferentes tipos de harpa em uma programação que percorre a música barroca e chega aos ritmos contemporâneos.

Já a partir do dia 24, o foco se volta para uma das sonoridades mais ligadas à formação cultural brasileira. A Mostra Violas Brasileiras: Da Raiz ao Contemporâneo apresenta diferentes tradições relacionadas à viola e valoriza seus construtores, comunidades, festas e saberes.

A programação evidencia como um mesmo instrumento pode assumir diferentes identidades dependendo do território onde é tocado, revelando a diversidade cultural de um país de dimensões continentais.

Samba, gastronomia e memória

A cultura popular ganha espaço especial no dia 19, quando a Feira das Yabás retorna à área externa do CCBB.

O evento reúne gastronomia, música e convivência e tem como destaque a roda de samba comandada por Marquinhos de Oswaldo Cruz. A gastronomia ocupa papel fundamental nessa experiência, com pratos associados aos quintais suburbanos cariocas e às tradições afro-brasileiras.

Feijoada, angu à baiana, frango com quiabo, tripa lombeira e outras especialidades ajudam a transformar a feira em um espaço de preservação de sabores, histórias e identidades.

É cultura que se vê, se ouve, mas também se experimenta.

Literatura como espaço de reflexão

O Clube de Leitura CCBB, no dia 9, recebe João Silvério Trevisan para uma conversa sobre gênero, sexualidade, memória, masculinidade e literatura.

Escritor, dramaturgo, jornalista e diretor de cinema, Trevisan possui uma trajetória marcada pela relação entre criação artística, pensamento crítico e questões sociais. O encontro propõe justamente aproximar literatura e reflexão sobre a sociedade contemporânea.

Para crianças, famílias e novos públicos

A programação educativa completa esse mosaico cultural.

Na Hora do Conto: “A Chama que Iluminou o Mundo”, o público acompanha a história da ave Juruva em uma narrativa inspirada na tradição oral do povo Pareci. A atividade combina contação, música e participação do público para abordar coragem, coletividade e a riqueza das culturas dos povos originários.

O CCBB Educativo mantém ainda suas ações de mediação cultural voltadas à aproximação dos visitantes com as exposições, o patrimônio histórico e a arquitetura do edifício.

Cultura também é memória

O passeio pelo CCBB se estende ao Museu BB e à Biblioteca Banco do Brasil.

No Museu BB, o público pode visitar “Do Sal ao Digital: O Dinheiro na Coleção Banco do Brasil” e conhecer aspectos da história da instituição.

Na biblioteca, a exposição “Palavras em Cena: o cinema que veio dos livros” estabelece uma ponte entre literatura e cinema. Em cartaz até 31 de outubro, a mostra parte de adaptações literárias para mostrar como uma mesma história pode ganhar novas formas quando passa das páginas para a tela.

Com essa diversidade de propostas, setembro reafirma o papel do CCBB como um dos espaços de circulação cultural mais importantes do Rio. Em vez de concentrar a programação em uma única linguagem ou tendência, o centro cultural constrói uma agenda capaz de colocar lado a lado arte contemporânea, patrimônio, cinema internacional, cultura popular, música, literatura e educação.

No fim das contas, é justamente essa convivência que faz da programação cultural algo maior do que uma agenda de eventos: um espaço permanente de encontro entre pessoas, histórias, territórios e diferentes maneiras de produzir e experimentar arte.

Serviço

Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB Rio
Rua Primeiro de Março, 66, Centro, Rio de Janeiro/RJ
Telefone: (21) 3808-2020
Funcionamento: quarta a segunda, das 9h às 20h. Fechado às terças-feiras.

A programação completa, horários, classificação indicativa e informações sobre ingressos estão disponíveis no site do CCBB.

As exposições e diversas atividades têm entrada gratuita. Para eventos gratuitos que exigem ingresso, a retirada pode ser feita na bilheteria do CCBB ou pelo site da instituição.

Nando Andrade

Nando Andrade

Produtor cultural, produtor executivo e diretor de produção audiovisual, com mais de 18 anos de experiência em projetos culturais, entretenimento, eventos e audiovisual. É fundador da Visuallyze e atua na gestão, produção e desenvolvimento de projetos culturais e audiovisuais no Brasil.