Espetáculo “À beira da piscina” investiga as marcas da masculinidade e propõe uma viagem ao universo interior de um homem

Com dramaturgia e direção de Diogo Liberano e atuação de Gilberto Silva, “À beira da piscina, um homem sentado” fica em cartaz no Teatro Municipal Ziembinski até 25 de outubro.

Como as imposições sociais sobre o que significa ser homem podem afetar a relação de um indivíduo com as próprias emoções? Essa é uma das questões que atravessam À beira da piscina, um homem sentado, espetáculo teatral que estreou em 2 de outubro e segue em temporada no Teatro Municipal Ziembinski, na Tijuca, até o dia 25. Com atuação e realização de Gilberto Silva, a montagem tem dramaturgia e direção de Diogo Liberano e propõe uma investigação cênica sobre as marcas da masculinidade e as possibilidades de transformação por meio do autoconhecimento.

A narrativa parte de uma tarde de sábado em que um homem de quarenta e poucos anos se reúne com quatro amigas ao redor de uma piscina. Entre conversas, petiscos e histórias compartilhadas, algo inesperado acontece: uma abertura surge em seu peito, revelando uma longa escada que conduz ao seu universo interior. Ao decidir descer por ela, o personagem se depara com experiências, sentimentos e partes de si que precisaram ser silenciados para que pudesse corresponder às expectativas sociais sobre o que seria um homem de verdade.

Em vez de seguir uma narrativa linear, o espetáculo constrói uma experiência de investigação interior, na qual a relação entre ator e público é fundamental. O percurso não se orienta pelo avanço dos acontecimentos, mas pelo aprofundamento das camadas emocionais do personagem, convidando a plateia a acompanhar o confronto entre as exigências da masculinidade e aquilo que foi reprimido ao longo da vida.

“Queremos mostrar no palco o impacto aparentemente invisível da repressão patriarcal: o inconsciente de um homem que foi impedido de sentir, ou seja, que foi separado de seu próprio corpo”, afirma Diogo Liberano. Segundo o dramaturgo e diretor, a obra também procura apontar caminhos para superar essa condição, a partir da consciência e da possibilidade de construir relações mais livres e alegres.

A concepção visual e sonora acompanha esse mergulho. O cenário de Lucas Salim delimita o espaço interior do protagonista, enquanto a iluminação de Nina Balbi explora contrastes entre sombras e claridade, criando uma atmosfera de descoberta. A trilha sonora de Arthur Braganti contribui para a dimensão sensorial da encenação, evocando um ambiente aquoso e instável. Já os objetos de cena concebidos por Brunella Provvidente participam da construção desse universo e das transformações vividas pelo personagem.

Para Gilberto Silva, a origem do espetáculo está associada a um processo pessoal de inquietação e elaboração artística. “Tudo nasceu de uma dor, um incômodo, uma espécie de água parada, que foi virando lama e que, após anos de processo criativo, foi decantada, filtrada e encheu uma piscina. Chamei as amigas pra curtir um sábado de sol e, naquela tarde, algo nasceu, rompeu”, relata o ator.

Realizada de forma independente, com recursos levantados pelo próprio Gilberto Silva, a montagem reúne uma equipe de 16 profissionais em diferentes áreas da criação e da produção teatral. A proposta aposta na imaginação do público e na força da interpretação para dar forma a um processo de transformação que começa no encontro com o outro e se aprofunda no reconhecimento de si.

Serviço

À beira da piscina, um homem sentado

Local: Teatro Municipal Ziembinski, Tijuca, Rio de Janeiro
Temporada: até 25 de outubro de 2026
Dias e horários: sextas e sábados, às 20h; domingos, às 19h
Duração: 60 minutos
Classificação indicativa: 18 anos
Ingressos: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia-entrada)
Vendas: https://bileto.sympla.com.br/event/127096

Ficha técnica

Atuação e realização: Gilberto Silva. Direção e dramaturgia: Diogo Liberano. Direção assistente e iluminação: Nina Balbi. Cenário: Lucas Salim. Trilha sonora: Arthur Braganti. Objetos de cena: Brunella Provvidente. Fotografias de divulgação: Íra Barillo. Fotografias de cena e filmagem: Thaís Grechi. Participação especial: Bernardo de Assis. Participação especial em áudio: Andrêas Gatto. Design: Diogo Liberano. Mídias sociais: Camarujo. Assessoria de imprensa: Clara Lugão e Cris Nogueira. Cenotécnicos: Djavan Costa e Iuri Wander. Técnica de luz: Ileana Thaís Lopes. Operação de luz: Milena Codeço. Técnica e operação de som: Andressa Costa. Produção executiva e contrarregragem: Lud Tortelly. Direção de produção: Marcéllo Mucída.

Sobre os artistas

Gilberto Silva é ator formado pelo Curso Técnico de Formação de Atores da Universidade Federal Fluminense (UFF). No teatro, participou de montagens como Morte Sobre a Lama e Eu sempre tive a ilusão de que um dia você ia me abraçar. Também integrou quatro edições de A Escuta do Ator, investigação cênica conduzida por Miwa Yanagizawa e Liliane Rovaris, e realizou formação em clown com Marcio Libar. No audiovisual, participou de produções da TV Globo, incluindo a novela Guerreiros do Sol, seu trabalho mais recente, além da série El Pre$idente, da Amazon Prime, indicada ao Emmy TV Awards.

Diogo Liberano é diretor teatral e dramaturgo, formado em Direção Teatral pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Foi coordenador do Núcleo de Dramaturgia Firjan SESI entre 2017 e 2021 e diretor artístico e de produção da companhia Teatro Inominável, de 2008 a 2021. Sua trajetória reúne mais de 30 criações teatrais encenadas e mais de 50 dramaturgias escritas, com trabalhos apresentados em países como Argentina, Colômbia, Escócia, Estados Unidos, Itália, Inglaterra e Portugal. Seus textos foram publicados e receberam indicações a prêmios como Shell, APTR, Cesgranrio, Aplauso Brasil e Questão de Crítica. Desde 2021, reside em Portugal.

Nando Andrade

Nando Andrade

Produtor cultural, produtor executivo e diretor de produção audiovisual, com mais de 18 anos de experiência em projetos culturais, entretenimento, eventos e audiovisual. É fundador da Visuallyze e atua na gestão, produção e desenvolvimento de projetos culturais e audiovisuais no Brasil.